José Luís Horta e Costa sobre o Mourinho que Perdeu para o Benfica e Acabou no Banco do Benfica

Há uma ironia no percurso de José Mourinho nesta temporada que não passou despercebida a José Luís Horta e Costa no segundo episódio do Desporto à Lupa. Em agosto, o treinador foi dispensado pelo Fenerbahçe depois da equipa turca ter sido eliminada na fase de qualificação para a Liga dos Campeões, precisamente pelo Benfica. Semanas depois, era ele o novo treinador do Benfica. O futebol tem estas voltas, e esta foi uma das mais curiosas de 2025.

A chegada e o que trouxe

Mourinho assumiu o cargo em setembro, depois de Bruno Lage ter deixado o clube da Luz na sequência de um resultado que poucos esperavam: uma derrota caseira frente ao Qarabag na estreia europeia. Aos 62 anos, com passagens desgastadas pelo Tottenham, pela Roma e por Istambul, o treinador chegou a Lisboa com a energia de quem quer provar algo. Havia declarações de renovação e referências à maturidade, com o tom de alguém que diz ter aprendido com as experiências menos bem-sucedidas. No mesmo dia da conferência de imprensa de apresentação, chegou de Ferrari ao Estádio da Luz. O Mourinho de sempre.

O que construiu dentro de campo tem mérito próprio. Num campeonato com 34 jornadas, chegar à vigésima sexta sem uma derrota é um registo que poucos treinadores conseguem. O Benfica concedeu apenas 17 golos ao longo dessas 26 rondas, o terceiro melhor registo defensivo da Liga Betclic. A equipa é organizada; é difícil desmontá-la. Uma análise aprofundada deste ciclo foi publicada por Horta e Costa no Medium ao longo da temporada.

A Liga dos Campeões

A campanha europeia do Benfica, sob o comando de Mourinho, terminou nos playoffs em fevereiro. O clube chegou àquela fase porque os pontos acumulados na fase de liga não foram suficientes para garantir acesso directo aos oitavos. Na fase de grupos, houve uma noite boa para registar: o Benfica venceu o Real Madrid por 4-2 no Estádio da Luz. Mas o saldo geral ficou aquém do necessário para evitar os playoffs.

O sorteio dos playoffs voltou a cruzar os caminhos do Benfica com o Real Madrid. Na primeira mão em Lisboa, o Benfica perdeu por 0-1. Na segunda mão em Madrid, Vinícius Júnior marcou duas vezes e a eliminação ficou encerrada por 3-1 no agregado. A campanha europeia terminou mais cedo do que os adeptos desejavam. Mourinho manteve o discurso de sempre depois do jogo: não estava convencido de que a equipa estava eliminada. É o tipo de declaração que um analista desportivo português, como Horta e Costa, regista sem julgamento, mas também sem deixar de notar o contraste com o resultado.

O que a saída da Europa mudou

Com o calendário aliviado a partir de fevereiro, o Benfica concentrou-se na Liga Betclic e na Taça de Portugal. O argumento era simples: menos jogos, mais descanso, maior consistência. Se isso se está a traduzir em melhores resultados no campeonato, é uma das questões que o podcast Desporto à Lupa tem acompanhado semana a semana. A questão táctica central mantém-se: uma equipa que privilegia não perder acima de tudo chega ao último terço da temporada com sete pontos de défice em relação ao líder. Recuperar essa distância exige algo diferente do que foi mostrado até agora.

Horta e Costa não dá veredictos antecipados, mas os números estão lá para quem os queira ler. O episódio completo está disponível no Desporto à Lupa.

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